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  Um filme delicioso de se ver, mas com pouco recheio, pouco conteúdo. Malena de Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso,1989) tem muitos aspectos da sociedade, mas abordados de uma forma muito simplista, parece que as vezes até jogada. Além de percebermos nitidamente que Tornatore se inspirou em nada mais nada menos do que Federico Fellini e seu eterno Amarcord. Muitas cenas são praticamente cópias das idéias mirabolantes de Fellini.

O filme conta a história de Renato (Giuseppe Sulfaro), um garoto de calças curtas, que se apaixona platonicamente pela recém chegada na cidade, Malena (Monica Bellucci), cujo marido é soldado e está combatendo na segunda guerra mundial. Sempre, como pano de fundo, a guerra, uma das características de Tornatore. Mas Malena, antes de mais nada, desperta na cidade pacata de Casteculto, a curiosidade dos homens e a inveja das mulheres com sua beleza exuberante. Só que em um momento recebe a notícia de que seu marido fora morto na guerra e se vê nas mãos daquela sociedade hipócrita e faz de tudo para conseguir sobreviver e ter o que comer, a ponto de começar a vender o próprio corpo. Nisso tudo, Renato apenas a segue por todos os lados e é o único que sabe das necessidades reais da viúva e seu amor pelo marido morto. E durante essa paixão se torna homem e Malena o ajuda nisso, sem ao menos imaginar.

Baseado no romance de Luciano Vincenzoni, com roteiro de Tornatore, o filme, como disse, parece sem recheio, querendo dizer muito e na realidade diz pouco. Os aspectos da guerra, a inveja das mulheres, a curiosidade dos homens, a sociedade cheia de hipocrisia de uma cidade que tem como maior lazer o falatório sobre as vidas alheias, o oposicionismo em relação ao Dulce, aqueles que o veneram e os que o odeiam e são reprimidos por essa opinião diante do fascismo, tudo está meio que jogado e nada  fixa-se, essa é a sensação maior do filme. Qual das críticas temos que parar para pensar melhor? Fica essa questão, de um tema que podemos considerar batido.

            O filme ganha um pouco de magia com a trilha de Ennio Morricone, como sempre perfeita e a fotografia de Lajos Koltai que dá ao filme um tom sempre amarelado, lembrando areia e tempos de guerra.  

  

            Elementos do cinema, paixão de Tornatore, não poderia ficar de fora. Ele é lembrado nas fantasias de Renato com Malena, sempre se imagina em alguma cena de um gênero de filme, desde o faroeste até o romance água com açúcar.

            Mas como eu disse no começo, vale a pena por ser delicioso de se assistir, mas traz um tema já muito explorado e no qual sabemos que final se dará. Quer dizer, o final era para ser surpreendente, mas não surpreende ninguém, pois é um final imaginável. Um mero passatempo, uma mera história.